quinta-feira, agosto 20, 2009

CONARH 2009, Agosto, 18 a 21
da Realidade ao Futuro!

Pensar global é reagir local e verdementeRogério Cançado, da IBM, que turbinou a Jam Conarh com o Lotus
Mais inteligente e mais bonito
Poço sem fundo, na visão de Fernando Brant, para stand do IEL SP
A mestre Mari desdobra a criatividade para partilhar o origami
Garotos do ESPRO - inclusão para a juventude
Os jovens executivos do Monster Brasil, caçando jovens talentos
Amigos: Dutra e Jorgete Lemos, papos de responsa
Todo sabor da FDC
Salada do Chef Cymes: todo mundo entendeu

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

esquentando os tamborins !!!
De Jundiahy a Parahytinga, a Farra dos Barões


(Fotos: bloco Juca Telles, em S. Luis do Paraitinga, no sábado; Refogados, abre (e "fecha") o Carnaval de Jundiaí, na sexta;  Grito da Noite, sexta de Carnaval, em Santana de Parnaíba)

esquentando os tamborins !!!
De Jundiahy a Parahytinga, a Farra dos Barões

Barão Geraldo é aquele famoso distrito de Campinas, onde fica a Unicamp. Um lugar tranqüilo, aos poucos invadido pela efervescência cultural e a violência da metrópole.

O Barão foi o produtor de café Geraldo Rezende, da Fazenda Santa Genebra. Por algum motivo, conservou uma parte das terras intocadas, preservando a Mata de Santa Genebra para a posteridade. Por ali corre o ribeirão Anhumas, nada conservado.

O teatro, o folclore e o carnaval fazem parte da efervescência local. A fama da Cia. Barracão e a lenda do Boi-Falô se espalharam além-Barão. O boi em questão foi obrigado a trabalhar numa Sexta-Feira Santa e disse que não faria o serviço. Dessa história surgiu o nome do Berra-Vaca, um dos blocos de carnaval do distrito.

Nos dias de folia, o Berra-Vaca dá várias contribuições, mas sua missão oficial é sair na terça-feira à noite, atravessar a madrugada e as ruas, fechando as festividades.

Ano passado o bloco contou com um "esquenta" muito especial: Ainda na "concentração", ao lado da Banca Central, o maracatu Nação Tayná fez valer o baque dos tambores e reuniu a tribo pra festa.

Não muito longe dali, nas terras de outro barão, o carnaval terminava confinado e sem graça, restrito aos clubes que juntam Atoladinha com Pagodinho. Em Jundiaí é assim, o carnaval termina antes, na madrugada do sábado, quando os Refogados mais resistentes vão deixando o Estrela da Ponte. Dali pra frente é a festa oficial, com arquibancada e palanque. Acho que foi com o Estamos na Nossa que começou essa tradição de um bloco só. Depois veio a Banda da Ponte, já na sexta à tarde, sucedida pelo Refogados. E só.

As terras do Barão de Jundiaí e da Baronesa do Japi deram muito café, mas não geraram blocos populares. Aliás, é muito estranho que em tão antigas paragens só resista a tradição recente das festas italianas, como se a cidade tivesse nascido no fim do século XIX. Onde é que estão as Festas do Divino, as Folias de Rei, as congadas e o samba de roda? A Bandeira do Divino está lá no Museu Histórico e Cultural, mas cadê os festeiros e o imperador, as cantorias, a cavalhada? E o caxambu, que era a batucada ouvida lá pras bandas do Caxambu, onde é que foi parar?

Aos 351 anos, Jundiaí não pode aceitar como tradição uma Festa da Uva desfigurada, criada no século XX já com alma marqueteira. Até a Festa da Padroeira, que em tantos lugares combina devoção e cultura popular, turismo e geração de renda, aqui foi reduzida às práticas litúrgicas e participação restrita aos fiéis católicos. Não é uma festa da cidade nem mobiliza a comunidade. A cidade está rodeada de legítima resistência cultural: tem o carnaval de Santana de Parnaíba,
cujos tambores tem uma batida inconfundível; o samba de Pirapora, as congada de Atibaia, o São Gonçalo de Jarinu. Mas segue impermeável, mais do que as várzeas do rio Jundiaí. O resultado é uma cidade sem festas e de tradições perdidas. E carnaval sem graça.

Um pouco mais além, no Vale do Paraíba, uma cidade reinventou o carnaval. Terra de Aziz Nacib Ab'Sáber, geógrafo apaixonado pela Serra do Japi, São Luis do Paraitinga tem uma folia baseada em blocos, marchinhas e bonecões. O Juca Telles é um deles. Sai no sábado ao meio-dia, arrastando uma multidão que toma a praça e as ruas centrais.

O centro, aliás, é uma das riquezas da cidade, tombado pelo patrimônio histórico por conta dos casarões centenários, do ciclo do café. O café era plantado pelo Barão do Parahytinga, mais um personagem da nossa saga, que emprestou o nome do rio que corta a cidade. O Paraitinga vai
sucumbindo aos maus tratos, mas a cidade ainda guarda um tesouro da Mata Atlântica, o Núcleo Santa Virgínia, do Parque Estadual da Serra do Mar.

Das janelas dos casarões e dos portões das casas, jorram baldes e mangueiras, refrescando as "Cotias do Sertão", ou seja, o pessoal que sai no Juca Telles. O carnaval em Paraitinga é feito também de chapéus e cartolas coloridas, roupas de chitão ou de retalhos. As ruas são decoradas, as casas viram albergues, a cidade se integra na festa. Os blocos se revezam o dia todo, só descansam pela manhã: Maricota, Barbosa, Pé na Cova, Bicho de Pé, Lençol e o Bico do Corvo que arremata a terça-feira, quase quarta.

Enquanto os blocos vão pelas ruas, as bandas locais balançam o coreto. A cidade tem tradição musical. Ali nasceu o músico Elpídio dos Santos, que entre outras proezas compôs a maioria das trilhas dos filmes de Mazzaropi. Os blocos trazem sempre muitos jovens instrumentistas, com
destaque para os metais e até viola.

Na década de setenta, os filhos de Elpídio juntaram uns amigos e formaram a banda Paranga, com o melhor do hippie-caipira. O Paranga se tornou cult, ganhou a capital e integrou a chamada Lira Paulistana, ao lado de Arrigo, Itamar Assunção e outros geniais músicos. Dessa
relação intensa, vem a presença de Susana Salles no carnaval de São Luis. Ela é da Lira, não nega, mas ali é uma equivalente das cantoras baianas, dando alma, graça e voz, especialíssima, aos blocos do Juca Telles, Maricota e Barbosa. Herdeiros do Paranga, na terceira geração de Elpídio, surgiu o Estrambelhado, que mistura músicos de qualidade, viola, rock e marchinhas, claro.

As duas bandas se alternam no coreto, não deixando o carnaval parar. E não para mesmo: enquanto eles tocam, um outro bloco sai na ladeira atrás da Igreja, um Maracatu improvisado passeia pelas ruas, músicos e fantasias se espalham por todos os lados. A festa foi reinventada e
ganhou mais força aí pelos anos oitenta. A cidade que tem a tradição do Divino, das congadas e moçambiques, do jongo, da cavalhada e da alegria. O carnaval era mais uma delas. O Festival de Marchinhas, que acontece em janeiro e a dedicação de alguns moradores recriaram a tradição e o resultado está descrito acima.

Claro que nem tudo é perfeito. A Prefeitura de São Luis inventou no ano passado um pedágio, com o valor "simbólico" de R$ 30,00 diários, que permite ao visitante estacionar seu carro nas ruas. Sem o selo-pedágio o carro é multado e guinchado. Uma tentativa de selecionar o público e
conter um pouco a invasão bárbara que toma a cidade nestes dias. A idéia abriu espaço para um mercado negro de estacionamentos, propinas e caixinhas. Pode ser o começo do fim.

Os Barões do café fizeram sua folia e riqueza, intensificando a devastação destas terras. Restaram um pouco de tradição, uns fragmentos de mata, rios em agonia. Em alguns lugares, como nas margens do Anhumas e do Paraitinga, ficou também um traço da alegria e da resistência cultural de um povo que, mais que o carnaval, reinventa a vida todos os dias.

Jundiaí parece destoar dessa história. Aqui as tradições e o rio foram mortos. A Serra do Japi sobrevive, por enquanto, símbolo da cidade sem festas. O carnaval segue cambaleante. Graças na sexta. O resto, sem graça.

quinta-feira, setembro 07, 2006

(fotos: Lumiar, Festival dos Mellos e DNA Brasil)
















(Mais reflexões sobre o CONARH 2006. E chega!)

Você Está Louco!

“Você Está Louco!” é o título do novo livro de Ricardo Semler, dono do Grupo SEMCO. Veterano do mercado literário, no final dos anos oitenta foi best-seller e galgou o posto de guru internacional com “Virando a Própria Mesa”, que vendeu 1,1 milhão de exemplares em todo o mundo.

A SEMCO tem um presidente-executivo, mas é Semler que, por email, toma as principais decisões e orienta estratégias e negociações.

Morando no exterior, fazendo viagens exóticas ou dando aulas no MIT, Semler desconstruiu a rotina tradicional de sua empresa, criando horários flexíveis, escritórios compartilhados, autofixação de salário e o programa “aposente-se um pouco”, onde o funcionário pode utilizar um dia da semana para fazer o que quiser e pagar com trabalho quando estiver aposentado.

Semler desconstruiu seu próprio cargo. Ele é um típico não-presidente que merece ser lembrado na reconstrução do CONARH.

O CONARH, com seu Fórum de Presidentes, desconstruiu o Congresso de Recursos Humanos.

Um Congresso de uma classe profissional deve ser um grande marco, um momento muito esperado, pelo conteúdo inovador e pela avassaladora onda de mudanças que provoca.

Apesar do tema “Transformar para Competir”, nosso Congresso de RH vem carregado de mesmices e reproduz as novidades que todo mundo já conhece.

Uma pena.

O não-presidente da SEMCO poderia ser uma exceção, um convidado especial num Congresso que precisa ouvir menos os executivos e mais os “colaboradores”. Também seria importante ouvir os próprios funcionários do Grupo, pra saber se na prática a coisa funciona mesmo.

Portanto, organizadores do CONARH 2007, esqueçam os presidentes, mas chamem o Semler.

Interessante verificar que, dos poucos brasileiros a palestrar nos eventos da HSM, que até recentemente só abriam espaço para estrangeiros, Semler é presença das mais aplaudidas.

Por outro lado, um de seus projetos mais instigantes, a escola Lumiar, também foi destaque no Fórum Social Mundial, na abafada Porto Alegre de janeiro de 2005.

HSM e FSM, portanto, reconhecem o valor do empresário.

Mas vamos falar da Lumiar. Tem uma “estratégia” de RH escondida aí.

A Lumiar é uma escola, escola mesmo, para crianças de verdade, criada por Semler, com duas unidades em funcionamento, em São Paulo e Campos do Jordão.

No livro, ele explica uma das motivações para abrir a Lumiar: “Eu percebia como a escola do senso comum entregava à SEMCO adultos totalmente condicionados a serem submissos, a esperarem instruções, a se submeterem a uniformização. Depois de passar mais de duas décadas tendo de desprogramar no trabalho o que lhes foi transmitido desde o jardim-da-infância, resolvemos mudar o sistema no momento certo: o jardim-da-infância”.

Na Lumiar, os pilares da educação são Liberdade, Cidadania e Aprendizado Profundo. É uma experiência inovadora. Os alunos podem ser filhos de milionários paulistanos, que pagam R$ 1.200,00 por mês ou favelados, com mensalidade de R$ 3,00. As crianças não são obrigadas a assistir as aulas. Aliás, não há “aulas” convencionais. Mesmo assim, a escola conta com 107 mestres registrados, entre carpinteiros, professores da Poli/USP, biólogos e artistas de circo.

Bom, tudo isso está bem explicado nos sites www.lumiar.org.br ou www.fundacaosemco.org.br e, claro, no próprio livro.

Voltando ao velho, no sentido de ultrapassado, CONARH, colhi algumas opiniões de executivos de RH que foram e que não foram ao Congresso.

Uma jovem gerente de indústria farmacêutica não foi ao evento, pois se preparava para uma viagem de trabalho a Alemanha. Também não foi no ano passado, nem no anterior e não participa de grupos informais nem da ABRH, embora a empresa seja associada. Independentemente disso é uma profissional de sucesso, disputada pelo mercado. Ela não vai ao CONARH porque já conhece o pessoal das palestras e não está interessada em brindes ou nas “novidades” dos planos de saúde. Poderia até dar um pulinho, já que trabalha na Grande São Paulo. Acha que seria legal encontrar os colegas pelos corredores ou auditórios, mas sabe que eles também não estarão por lá.

Outro gerente, de indústria de celulose mineira, foi ao Congresso, como faz todos os anos. A empresa paga, já está no budget. Mas ele já não se entusiasma pelo evento. Diz que os mais novos, que vêm pela primeira vez, podem encontrar muita coisa boa. Mas ele prefere ficar pelos corredores, batendo um papo, revendo os amigos que também estão por lá todos os anos. Ele mesmo tem boas histórias pra contar, experiências interessantes que acontecem na sua empresa, envolvendo funcionários e a comunidade. Mas estes casos reais, vivenciados por associados da ABRH não interessam ao comitê organizador do CONARH.

A jovem gerente poderia ser convidada do Congresso em 2007, para contar ao público porque o velho CONARH não interessa, não causa impacto nem gera “ondas de transformação”. Os causos do gerente mineiro poderiam ter destaque, assim como os milhares de cases ocorridos no âmbito das seccionais. Um material extraordinário, desperdiçado todos os anos.
Mas enquanto o CONARH 2007 não vem, o observador atento pode acompanhar dois eventos bem mais modestos, mas seguramente mais transformadores, que acontecem ainda neste mês de setembro. Ambos no bairro dos Mellos, proximidades de Campos de Jordão. Ambos idealizados pelo Semler.

Um deles é o DNA Brasil 2006, fórum de debates que está repensando o país, reunindo personalidades distintas como João Pedro Stédile, do MST, o índio Daniel Munduruku, o empresário Horácio Lafer Piva, o padre Júlio Lancelotti e o senador Suplicy. Será a terceira edição do evento.

O pano de fundo desta feita serão os planos estratégicos já elaborados para o país pela sociedade civil e pelos governos FHC e Lula. Uma equipe, coordenada pelo prof. José Eli da Veiga, da FEA-USP, elaborou um mapa apontando os pontos em comum e as divergências entre eles. Durante o evento, os convidados vão analisar o material, com o desafio de apontar quais devem ser as prioridades do país nos próximos anos. Detalhes em www.dnabrasil.org.br

Na seqüência do DNA Brasil começa o Festival dos Mellos, no mesmo local. O festival leva para o bairro rural uma série de debates (conversas), oficinas, música, dança, circo, cinema, teatro de bonecos, feira de produtos orgânicos, entre outros. E não é só pra inglês ver. O festival conta com a participação intensa e prioritária da comunidade local. Cacá Diegues, Gustavo Franco, a Cia. Pia-Fraus e o maracatu Baque-Bolado estarão por lá.

A escola Lumiar, o DNA Brasil e o Festival dos Mellos são iniciativas da Fundação SEMCO.

O novo CONARH poderia ser um festival reunindo o melhor de todas as seccionais, um fórum de colaboradores e conversas produtivas que atraíssem a jovem gerente de RH e seus colegas.

Mas o festival que temos assistido até agora reúne mesmices e marketing. Ah, e o Fórum dos Presidentes, claro!

Pra mudar essa realidade, vamos esquecer os presidentes!

Melhor, vamos lembrar somente de dois deles: o Roberto Justus e o Ricardo Semler...

Pensando bem, o Justus só vai servir para demitir o comitê organizador do Congresso, depois pode cair fora. E o Semler nem é presidente e também não vai topar participar dessa chatice.

É. Esqueçam os presidentes!